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Tese de professor do Campus Ouro Preto vence Prêmio ANPUH e recebe menção honrosa da Capes

publicado: 09/08/2019 15h03, última modificação: 09/08/2019 15h03

O trabalho de doutorado do professor de História do Campus Ouro Preto, Fabiano Gomes da Silva, foi vencedor da 6ª edição do Prêmio Manoel Salgado de Teses de Doutorado, da Associação Nacional de História (Anpuh-Brasil). Intitulada “Viver honradamente de ofícios: trabalhadores manuais livres, garantias e rendeiros em Mariana (1709-1750)”, a tese foi defendida no Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Fora, em 2017, sob orientação da professora Carla Maria Carvalho de Almeida.

A premiação ocorreu no dia 15 de julho na abertura do 30º Simpósio Nacional de História, o mais expressivo evento da área no país e na América Latina, realizado em Recife (PE). Concorreram ao prêmio 18 teses defendidas entre janeiro de 2016 e junho de 2018.

O trabalho também recebeu menção honrosa na 13ª edição do Prêmio Capes de Tese 2018, que reconheceu os melhores trabalhos de conclusão de doutorado defendidos no Brasil em cada uma das 49 áreas do conhecimento. Somente duas teses em cada uma das áreas podem receber menção honrosa.

A conquista do Prêmio Manoel Salgado de Teses de Doutorado da Anpuh-Brasil, resultou na publicação do livro “Viver honradamente do trabalho no Brasil Colonial”, pela editora Fino Traço. A obra está disponível para venda no site da editora. 

Trabalho livre e escravidão
A cidade de Mariana (MG) na primeira metade do século XVIII foi o cenário escolhido pelo docente para o desenvolvimento de sua pesquisa acerca do mundo do trabalho livre em uma sociedade escravista. “O tema é importante porque existe uma leitura de que o trabalho livre e a escravidão são incompatíveis na historiografia brasileira clássica. Busquei mostrar que o trabalho livre tinha um papel importante naquela economia, pois uma parte considerável dos serviços que viabilizaram a extração do ouro e a vidas nos arraiais dependiam desses profissionais livres, como os trabalhadores manuais dos ofícios dos metais (ourives, ferreiro, caldeireiro, armeiro), do couro (sapateiro, celeiro), do tecido (alfaiate) e da construção civil (carpinteiro, marceneiro, pedreiro)”, explica.

As relações sociais, políticas e religiosas mantidas entre esses trabalhadores e as comunidades nas quais estiveram inseridos também são evidenciadas na pesquisa, buscando destacar que nem sempre o trabalho foi considerado como uma atividade depreciável. “Há uma ideia de que a escravidão foi tão deletéria que eliminou qualquer valor positivo do trabalho, que nunca poderia ser considerado fonte de virtude para os trabalhadores brasileiros. O problema dessa leitura é que ela é muito generalista. Quando se observa Mariana na primeira metade do século XVIII, tem-se um conjunto de homens que passou a vida inteira em uma tenda, manejando couro, ouro, metal ou a madeira. Tem-se homens brancos, ou ‘tidos como brancos’, pardos, mulatos e pretos exercendo um ofício, seja de forma individual ou com auxiliares escravos na produção dos bens necessários a vida e o regalo das suas comunidades. O trabalho, naquele período, não era uma fonte necessariamente negativa; ele também podia qualificar. O sujeito que se dedicava ao labor de forma honesta e justa tinha um papel importante na sociedade”, ressalta.

Para Silva, este é um dos méritos da pesquisa. “É tentar discutir como o trabalho é uma fonte de virtude, de valor positivo, mesmo naquela sociedade mineira escravista. Matizar a leitura que o trabalho é só sofrimento, pena e castigo na modernidade de matriz ibérica católica. Sem isso, não conseguiremos entender a outra face do trabalho no nosso passado escravista. Aquela que aparece nas narrativas morais dos ex-escravizados que declaravam reiteradamente em seus testamentos terem vivido decentemente de suas indústrias e trabalhos. Se o trabalho foi sofrimento para muitos, ele também foi o caminho do viver honrado e da liberdade para outros”, ressalta.

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