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Um trem de cinema

Projeto de Extensão do Campus Sabará promove sessões de cinema ao ar livre, abertas ao público e gratuitas.
publicado: 29/11/2019 16h48, última modificação: 29/11/2019 16h48

No dia 15 de junho de 2019, um documentário sobre a vida da cantora Carmem Miranda foi exibido em uma sessão de cinema um tanto inusitada, na cidade de Sabará. Escurecida pela própria noite, a sala era um estacionamento, a céu aberto, que abrigou o público em (confortáveis!) poltronas feitas com pneus, enquanto o projetor esparramava suas luzes na única tela disponível ao redor: uma das paredes externas do Campus do IFMG. 

A exibição faz parte de um projeto de Extensão, chamado “Um trem de cinema”  e o documentário foi a primeira sessão deste segundo semestre.  Desde então, outras três apresentações já foram organizadas e muitas outras deverão ainda acontecer, devido ao tamanho do acervo adquirido pelos organizadores. “Recebemos a doação de mais de 800 filmes do antigo Ministério da Cultura, através da Programadora Brasil, que, infelizmente, foi extinta. São filmes brasileiros variados, entre documentários, ficção, comédia, terror, enfim, todos os gêneros”, explica Mateus de Castro, assistente em administração do Campus e coordenador do projeto.

 Segundo ele, o acervo contém obras produzidas de 1913 a 2011, das quais foram avaliadas não mais que 2% do total. São filmes sobre povos indígenas, músicas populares, animações, fatos históricos, culturais e folclóricos, que estão passando por curadoria, a cargo do servidor Tiago Pereira da Silva, também integrante do projeto.

 

“Um trem de cinema”Equipe do projeto confeccionando as cadeiras feitas com pneus
O nome nasceu de duas inspirações. Primeiramente na expressão usada com frequência na fala dos mineiros e também de uma ferrovia que passa bem próxima ao Campus. Esse “trem”, no entanto, demorou alguns meses para entrar nos trilhos. A ideia surgiu em 2018, inspirada nas conversas de Mateus e Tiago o e no belo cenário onde se encontram as novas instalações do Campus Sabará

À direita, equipe do projeto trabalhando na confecção das cadeiras feitas com pneus

 

Um dos desafios era começar com pouco ou nenhum recurso. “Não queríamos cadeiras de plástico e lembramos de ter visto em alguns lugares assentos feitos de pneus. Começamos, então, a confeccionar um protótipo e fechamos o modelo. A matéria prima foi doada pela Prefeitura de Belo Horizonte”, lembra Mateus. O projetor foi adquirido junto à gestão do Campus e o sistema de som é emprestado de um aluno músico, que o utilizava em uma banda, hoje extinta.

 Além dos filmes doados pelo então Ministério da Cultura, os organizadores adquiriram outras obras em parceria com o consulado da Índia, além de utilizar plataformas online que disponibilizam filmes de forma gratuita. São elas, Librefix, Afroflix, Curta Doc, Portal Curta, VideoCamp e a própria Netflix. 

 

Próxima sessão
Marcada para 25 de novembro, o filme “O Estopim” seria a última exibição do ano, mas o evento acabou cancelado por causa das chuvas. Segundo os organizadores, o problema geralmente é contornado utilizando-se o auditório do Campus, que possui capacidade semelhante à do cinema ao ar livre, de aproximadamente 60 pessoas.

 Não há uma periodicidade definida para as apresentações, que são divulgadas na plataforma Sympla e no Facebook do projeto com uma semana de antecedência.  Os filmes são agendados em conjunto com os alunos para que eles adaptem algo para as exibições. No primeiro semestre, os organizadores contaram com a ajuda do professor LeonardoVidigal, da UFMG, para a escolha dos títulos. Agora, a seleção passa pelo crivo do curador do projeto, Tiago Pereira da Silva, aluno de Leonardo. “A proposta é que o público também possa expressar suas opiniões e emoções vividas com os filmes. Distribuímos alguns formulários de pesquisa de recepção e organizamos algumas rodas de conversa após algumas sessões”, explica Tiago.

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